sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

História do Casamento


Casamento do faraó Menkaura com sua irmã Khamerenebti II

O Casamento sempre esteve ligado a uma história feliz e romântica.
Quem vai casar partilha alegremente a notícia à família, amigos e aos mais próximos.
Organiza uma festa à escala do gosto e possibilidades e simultaneamente firma-se um contrato.
Com o passar dos tempos o casamento foi envolvendo aspectos jurídicos, religiosos , sociais, afectivos e tambem mundanos, sendo portanto uma celebração muito completa,
rica de avaliações.
Os costumes são inventados ou seguem tradições. O casamento é tambem ele um costume que tem um pouco de ambas as coisas.Seguem-se mitos e ritos mas vão-se sempre acrescentando novidades. Para isso devemos estar preparados.

A sua história tem evoluido ao longo dos tempos conforme costumes, estéticas e éticas dos diferentes países e culturas.

Afrodite, deusa protectora dos casamentos


Na Civilização ocidental, nos tempos primordiais a vida passava-se em público. A noção de privacidade que hoje existe, chegou mais tarde. No que respeita ao Casamento, a benção do leito núpcial era costume. Vinha o povo visitar os noivos na noite de núpcias, já deitados, e à volta deles fazia grande algazarra, ritual que não escandalizava o povo. Havia vários direitos sobre a intimidade do casal.

As Bodas de Canãa - Veronese

Nesse tempo era outra a noção de privacidade. Todos viviam juntos, as casas eram lugares públicos, as portas estavam abertas à indiscrição das visitas, enfim a noção de família era diferente de hoje.

Os Esponsais da Virgem - Rafael


Foi nos meados do século XVIII para XIX o sentimento familiar mudou. A sociabilidade e a diferença entre privado e público, passou a alargar-se a todas as classes para alem dos aristocratas e burgueses.A Família passou a ser mais do que era nos tempos em que só contava a realidade material, transmissora de património e tambem de nome.

O rapto das Sabinas - Jean-Louis David


Surgiu o sentimento de familia que chegou até hoje , vigorando laços de intimidade e privacidade alem de desejo de conforto. Assim foi transmitido pela educação uma nova ética, com influência do cristianismo. Família e sociabilidade deixaram de coincidir.

Se remontarmos a tempos muito antigos saberemos que os casamentos das famílias influentes no Egipto eram feitos, se necessário com familiares próximos , nomeadamente irmãs, que se transformavam em esposas ou concubinas para manter heranças do Trono, como no caso dos faraós. O incesto não era questão.

John of Gaunt e Dom João I negociando o casamento de Filipa de Lancaster com o Rei de Portugal em Ponte de Mouro, Monção

Casamento de Filipa de Lancaster com Dom João I de Portugal na Sé do Porto


Na Grécia Antiga, os pais combinavam os casamentos das crianças de 1 e 13 anos. Faziam-se celebrações à deusa Afrodite, em altares em que os noivos eram coroados com folhas de loureiro. As mulheres tinham um papel social muito restrito
A aristocracia romana por sua vez tinha costumes como por exemplo, os maridos cederem as suas mulhres a hóspedes e amigos íntimos como forma de honraria.

Romântico enlace de Abelardo e Heloísa - Jean Vignaud

Havia diferentes formas de consumar o matrimónio dos filhos que muitas vezes não eram naturais mas adoptados, era pela coabitação durante um ano e um dia, o que se chamava Usus, por contrato de união de património , com rituais de celebração aos deuses e tambem por rapto.
Após a cristianização no Império Romano e na época medieval que se seguiu, os filhos eram levados a casar por escolhas e acordos entre os pais, sem consentimento dos nubentes.

Casamento dos Arnolfini - Van Dyck


O casamento por amor é uma conquista do século XVIII. Surge então o sonho do amor romântico que antes não era tido em consideração, assim se sabe através dos livros embora tenha sido de facto no séculoXII em França nos tempos da Cavalaria que se popularizou o amor cortês, no seio dos domínios feudais. Esse sentimento amoroso e até poético , do culto divinizado da mulher, foi difundido pelos Cruzados provenientes de França, nas sua digressões, influenciando as diferentes realidades sociais da Europa por onde andaram mas foi apenas um começo. Só mais tarde o amor se tornou um sentimento corrente e reconhecido.

Papa Nicolau I


O Papa Nicolau I, ainda em tempos mais remotos , no século IX, terá decidido que no matrimóniodevia have o consentimento dos jovens . Foi um triunfo e um avanço na época embora na prática os casamentos não tivessem deixado de ser um instrumento de poder das famílias reais e burguesas que os negociavam a seu belo prazer através da união dos filhos.

Henrique VIII de Inglaterra e suas mulheres


No século XVI as teses do protestantismo defendidas por Lutero levaram a polémica a debate sobre a jurisdição que a Igreja tinha sobre o casamento . Nessa altura se separaram cristãos católicos de cristãos protestantes. Para muitos europeus que deixaram de obedecer ao Papa, o casamento não foi mais um Sacramento mas um acto civil, a Igreja apenas faria o acompanhamento espiritual do casal. O caso histórico de Henrique VIII e seus divórcios, é deste facto um marco histórico.

Primeiro Código Civil


No século XVIII a Revolução Francesa secularizou o casamento em França, em nome da liberdade. O casamento passou assim a ser um contrato com direitos e deveres, celebrado na presença dum funcionário público em lugar dum sacerdote.

Noivado de Dom Carlos I de Portugal e Amélia de Orleans, Cannes, 1862


No século XIX , o Código Civil surgiu ocupando-se do Direito da Família. As relações entre o Estado e a Igreja foram objecto dum documento regulador , a Concordata.O Concílio Vaticano II, concluido nos anos 60 do século XX, reforça o casamento católico como um Sacramento, portanto uma união indissoluvel. A indissolubilidade do casamento marca a Igreja Católica que determina que tudo o que Deus uniu o Homem não separa.
Casar é hoje um acto de conformidade social que se obtem por meio de uma licença legal, criada para ser ter filhos com honorabilidade, dentro da legalidade, no caso dos haver.
A cerimónia religiosa não dispensa o acto civil na Conservatória.
Para a Doutrina Social da Igreja, o casamento é o fundamento da Família.
Apesar da indissolubildade deste, muitos são os que se divorciam da parte civil, podendo voltar a casar-se neste mesmo regime sendo este considerado a parte contratual. Admitido por alguns que o casamento é amar por contrato foi todavia o que de melhor se inventou para expandir a função da reprodução, trazendo a segurança e cumplicidade necessárias.

Emancipação das Mulheres, poster de época


Neste breve olhar sobre a história do casamento ao longo dos tempos, as principais mudanças de hoje devem-se ao novo papel da mulher na sociedade que apartir dos anos 60 do século XX passou a partilhar com o homem o fardo conjugal, sendo uma espécie de sócia. Todavia é ela que tem a propriedade do mecanismo da reprodução. Por mais modelos familiares que surjam, dela dependerá sempre a continuidade da espécie, o que lhe dá maior responsabilidade.

Muitas referências se perderam mas a pressão dos símbolos, das ritualizações, a oficialização dos actos continua a ter adeptos.

Para os filhos, o casamento, seja qual for a ideologia ou religião é uma garantia de equilibrio pelo que é uma necessidade.
O modelo familiar reproduz-se para os que têm filhos e para a sociedade em que se integram. A função é reproduzir o modelo.
O casamento é uma relação estável e promotora de estabilidade pois é a declaração pública de compromisso
As condições de nascimento determinam a história das gerações. Os filhos são refens do cenário que os pais proporcionam e mais tarde serão seus actores involuntários no papel que aprenderam. Existe uma pressão social para ritualizar as relações para validar a existência dos filhos, o que oficilizou os actos.

As evoluções científicas e tecnológicas causaram impacto na noção de futuro. A globalização atingiu os conceitos de sexualidade, casamento e família.

Pio XII, o Papa da Concordata


A família tradicional pode estar ameaçada de mudança pela ruptura com o passado mais recente sobretudo devido à ideia de tolerância em relação a outras emergentes noções de família e tambem pelos novos modelos de quotidiano exibidos pelos Media.
Instalou-se a ideia de risco sendo o futuro uma ameaça. Faz lembrar a ideia de destino mágico dos antigos. Será uma nova fonte de energia e riqueza?
Perante as novas identidades perderam-se valores culturais e tradicionalmente conquistados.
Deixará de se confiar na tradição e na religião?

Casamento de Diana com o Príncipe de Gales


A tradição é uma espécie de verdade, um marco de acção de que o mundo não se libertará pois ela é necessária à continuidade da vida.
Casamento e Familia abandonaram os vínculos da tradição e entraram na insegurança de um novo ambiente moral esquecendo muitas vazes que as relações humanas se baseiam em dar e receber, e o casamento não pode escapar a essa lógica
Assiste-se a novas tendências, novos riscos, filosofias de vida. Mas a tradição pode ser o motor de uma espécie de verdade, uma base de acção, uma continuidade do sagrado. Podemos viver num mundo em que nada seja sagrado? O sagrado dá estabilidade. Os costumes ou se retomam ou se inventam.

Friedrich Nietzsche

A cultura, que é a alma do povo, é o que nos fica como fundamento da identidade colectiva. Como dizia Nietzsche “Um povo sem memória é um povo sem futuro”.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

As Minhas Crónicas

As actividades lúdicas não têm dado sinais de crise. Os convites chovem a potes. É preciso um guarda chuva para nos protegermos desta espécie de dilúvio que se abate sobre o jet set nacional. Que o digam as imagens da imprensa cor-de-rosa. Poucos são os sortudos que têm tempo para ao fim da tarde ou, pela noite adiante, encherem os mais variados espaços de diversão mas mesmo assim constituem um interessante nicho de mercado.
As Embaixadas que em Lisboa reuniram os seus convidados para Dias Nacionais e outros eventos foram a de França, Itália, Áustria e Turquia.
A vida nocturna teve momentos de glória como a abertura do Twins em Lisboa, a festa do BBC animada pelo José Cid. No Porto também o Twins e o Bela Cruz deram festas de arromba. No Hotel D. Pedro, Filipe La Féria, apoiado por Abel Dias anunciou mais um espéctáculo West Side Story. No Beato a habitual Feira de Antiguidades estava um exemplo de boa decoração. Atrás não ficou a Casa Decor em Santa Catarina com parabéns para o Dino Gonçalves e Salvador Correia de Sá. Na galeria Espaço Aberto da Milu Ferreira, a exposição de Yves Clerc foi um sucesso.Como também o jantar a favor da Sol organizado pelo Manuel Mendes de Almeida. A festa de anos da Isabel Nogueira no BBC foi super simpática. No Porto, no magnífico Hotel Infante de Sagres, foi linda a festa da Ami organizada pelo Daniel Martins. O Bazar de Natal dos diplomatas no Museu do Oriente teve alguma graça. Foi sem dúvida muito simpático o jantar na acolhedora casa da Hermínia Caetano Ramos.
Por fim, no Museu da Presidência da República foi lançado um belíssimo livro sobre Maluda, que nunca esqueceremos, por iniciativa de seu sobrinho Carlos Ribeiro.
O que acabo de referir é o elo de ligação ao novo ano que já atingiu a velocidade de cruzeiro na movida a que temos direito. Foi em grande o Réveillon do Casino do Estoril, epicentro nacional das passagens do ano. A mudança do calendário é motivo de festejo. Um pouco de paz não nos faz mal. Assim foi em Janeiro, altura de receber em casa em jantarinhos de petit comité. Oito a doze pessoas à mesa permitem convívio tranquilo e muito civilizado. Foi o caso do jantar da Ângela e Gavin Treckman, da Suzana e Raul Capela e já em maior escala o jantar de anos da Dulce Varela no Madeirense, do chá oferecido pela charmosíssima Embaixatriz do México, do grandioso aniversário da Maria Augusta Osório de Castro na sua casa em Miramar. O almoço da Teresa Ressano Garcia não podia ter sido mais simpático bem como o almoço dado pela Teresa Caldas com a presena da incontornável Maria do Carmo Castelo Branco que não deixa ninguém indiferente. A Leonor Stau Monteiro recebeu como ninguém, difícil de superar no seu charme hospitaleiro . A Nancy Chopard e seu Marido Aristide Sain, de passagem por Lisboa deram um pequeno jantar no grande restaurante chinês do Casino do Estoril. Já Maria Cândida Rocha e Silva recebia amigos para jantar no restaurante mais in do Porto , o Shis. Um luxo.
O Restaurante Madeirense comemorou festivamente mais um aniversário, concorrido como poucos. Finalmente Monção. José Fortes da Gama convidou para um fim de semana gastronómicoenológico (acabei de inventar uma palavra), no Hotel das Termas de Monção. Deu um festival de sopas baseado , passe a imodéstia, no livro de minha autoria Queridas Sopas. Seis estupendas sopinhas foram acompanhadas por notável variedade de vinhos Alvarinho. Justificou-se a presença da Confraria desta casta de vinhos e principalmente a interessantísssima figura que é o Presidente da Câmara de Monção. Presentes, alguns notáveis como o Cônsul Geral de Itália no Porto. O almoço do dia seguinte foi o melhor arroz de lampreia. Ficámos muito entusiasmados com as promessas de programas futuros na área cultural que o Hotel das Termas levará a efeito.
Desta vez o Lobby do Hotel encheu as suas paredes com lindíssimas aguarelas de Vasco Bobone. Tem a curiosidade de ser meu marido, o que em termos de logística foi prático para o anfitrião que deste modo convidou dois em um. (risos).
Amanhã estarei presente no almoço da Fátima Poças Pereira, que também promete. Não podem passar despercebidas as múltiplas actividades da Fundação Agostinho Fernandes que nas livrarias Sá da Costa e Bucholz do Chiado muito estão a fazer pela cultura na zona histórica de Lisboa enquanto os autarcas a que temos direito não a deixarem cair no abismo para sempre. Não digo porquê, porque não é preciso. Todos sabemos porque não somos parvos.
Assim Vai o Mundo!

Social Intenso - Crónica Revista ELES e ELAS, Fevereiro

Fishing for Compliments...

On Screen (10 Years Ago)


Sic transit gloria mundi

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Fim de Semana em Monção

Palácio da Brejoeira - Monção

O Hotel das Termas de Monção promoveu um fim de semana Gastronómico e Enológico- Festival das Sopas.
Sopas do livro, Queridas Sopas, arroz de lampreia e vinhos da famosa casta Alvarinho, eis o Menu.
No Lobby do Hotel ficaram patentes aguarelas de Vasco Bobone, representando vistas das Capitais de Portugal, em tons de azul.
Vasco e Paula Bobone

A mais histórica vila no extremo norte do país, Monção está de parabens pois os programas culturais vão continuar, por iniciativa do empresário hoteleiro José Fortes da Gama e do Presidente da Câmara.
José Fortes da Gama e Angelo Arena, consul de Itália rodeados por elementos da confraria Alvarinho

Presidente da Camâra de Monção

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Darwinismo Social

Muitos são os homens que legitimamente na sua vida desejam ter “status”, prestígio social e dinheiro, aliás valores que se conjugam entre si.
Observando os comportamentos das hierarquias dominantes concluímos que elas constituem os padrões de imitação desses tais homens desejosos de subir na vida.
Passo a referir então os comportamentos e a caracterização dos também designados” ricos, bonitos e felizes”, todos muito semelhantes entre si, tanto homens como mulheres.



Château Margaux, Propriedade da família Rothschild




Brasão de Armas do Duque de Marlborough



A abundância de recursos, o poder e nalguns casos antepassados ilustres marcam comportamentos e daí os seus códigos, linguagem e hábitos serem imitados como referências. Existe toda uma nomenclatura de gosto, casas, bebidas, carros, restaurantes que frequentam, roupas e jóias, onde passam férias, universidades e colégios dos filhos, as antiguidades, a arte e naturalmente as festas onde andam como convidados ou anfitriões.



Harry Winston



Dior



Esse grupo isolado que vem na revista Forbes, que circula entre Paris, Mónaco, Palmbeach, Aspen, Gstaad, onde formam alianças sociais e até fazem casamentos entre si, têm uma etiqueta que chama as atenções. As suas obrigações sociais são observáveis e avaliadas pelas festas, normalmente filantrópicas que frequentam que não deixam de ser uma forma de dominação social.



Monte Carlo



Gstaad



O “show off” assim revelado é aquilo que o homem em ascensão pretende imitar e sonha atingir.
Mas os ricos , consumidores violentos, são muito imitados de forma aparentemente fácil por outra classe para a qual o dinheiro não é problema: Os novos ricos.
E assiste-se, pela parte desses ricos estabilizados, a uma fuga aos imitadores uma desconstrução das aparências.



Bentley



Veleiro privado



Formam-se atitudes, notam-se rebeldias. Por reacção passam a considerar o consumismo desclassificado e optar por aparências de modéstia, blasé. Surgem como pessoas cultas, com causas sociais, compram bibliotecas, associam-se às famílias do chamado “Old Money” e criticam a ostentação como um vexame e uma afronta. E é vê-los com camisas gastas, camisolas rotas, jeeps velhos, casas com patine, até dedicados á natureza, ao campo e à ecologia. Não gostam das imitações, com ou sem a sua hipocrisia. O fenómeno conhecido por “darwinismo social” merece alguma reflexão e permite algumas conclusões. Como se diz no Mónaco “nem tudo o que brilha é ouro… podem ser diamantes!”



Hotel Crillon



Jacto privado






Do Livro Manual de Instruções para Homens de Sucesso
Paula Bobone
Editora Aletheia